Santo, Santo é o Senhor, o Deus e Rei do Universo – Cifra e Sugestão para Missa

A música “Santo, Santo é o Senhor, o Deus e Rei do Universo” possui uma melodia simples, um ritmo agradável e uma letra que utiliza expressões conhecidas pelos católicos. Por essas características, pode despertar o interesse de músicos e comunidades que procuram cantos para a celebração eucarística.

Entretanto, quando analisamos uma música destinada à Missa, não basta considerar se ela é bonita, fácil de cantar ou conhecida pela assembleia. É necessário verificar se sua letra corresponde ao texto litúrgico previsto para aquele momento.

Neste caso, existe um problema importante: a letra dessa versão não corresponde integralmente ao texto do Santo do Missal Romano. A diferença não se limita a uma escolha poética ou a uma adaptação musical. Ela envolve palavras, expressões e a própria construção da aclamação.

Por isso, antes de incluir essa composição no repertório, precisamos compreender a função do Santo na Liturgia Eucarística e por que a fidelidade ao texto aprovado é indispensável.




Cifra da versão musical apresentada

A seguir, mantemos a cifra da versão apresentada, no tom de Ré menor (Dm), para identificar a composição e documentar sua estrutura musical.

É importante destacar que a publicação desta cifra não representa uma recomendação para utilizar essa letra como canto do Santo durante a Missa. Para a aclamação da celebração eucarística, deve-se escolher uma versão que respeite integralmente o texto do Missal Romano.

Dm        C          Bb       A
SANTO, SANTO É O SENHOR
O DEUS E REI DO UNIVERSO

Dm        C          Bb       A
O CÉU E A TERRA TE PROCLAMAM
GLORIOSO ENTRE AS NAÇÕES

Dm        C          Bb       A7
HOSANA, HOSANA!
HOSANA NAS ALTURAS (Bis)

Dm                  C
BENDITO O QUE VEM EM NOME DO SENHOR

Bb              A7
HOSANA JESUS CRISTO
HOSANA COM AMOR

Dm                  C
BENDITO O QUE VEM EM NOME DO SENHOR

Bb              A7
HOSANA JESUS CRISTO
HOSANA COM AMOR

O Santo não é apenas um canto que acompanha a Missa

Uma das distinções mais importantes para o ministério de música é compreender que nem todos os cantos exercem a mesma função na celebração.

Existem cantos que acompanham determinadas ações litúrgicas, como o canto de entrada, o canto durante a preparação das oferendas e o canto de comunhão. Nesses casos, a música acompanha o desenvolvimento de um rito.

O Santo possui uma função diferente.

A Instrução Geral do Missal Romano, no número 79, ensina que a aclamação do Santo faz parte da própria Oração Eucarística e é proferida por toda a assembleia juntamente com o sacerdote.

Isso significa que não estamos diante de uma música escolhida simplesmente para preencher um momento da celebração. O Santo é uma aclamação que integra a Oração Eucarística, na qual a assembleia se une ao louvor da Igreja e dos coros celestes.

Essa distinção tem consequências para a escolha musical.

A letra do Santo não deve ser tratada como uma composição religiosa livre, na qual o ministério de música possa acrescentar ou substituir palavras conforme a preferência do compositor ou a facilidade da melodia.

Assim como a Oração Eucarística não é livremente reformulada pelo sacerdote, a aclamação do Santo deve conservar o texto litúrgico aprovado. A função do músico é colocar seus dons a serviço dessa oração, respeitando as palavras que a Igreja estabeleceu para esse momento.

Qual é o texto correto do Santo da Missa?

O texto do Santo previsto no Missal Romano é:

Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo!

O céu e a terra proclamam a vossa glória.

Hosana nas alturas!

Bendito o que vem em nome do Senhor!

Hosana nas alturas!

Observe a estrutura dessa aclamação: ela começa com a repetição tripla de “Santo”, dirige-se ao Senhor como Deus do universo, proclama a sua glória e conclui com as aclamações de Hosana.

A música pode apresentar uma melodia solene, alegre, tradicional ou contemporânea. O acompanhamento pode ser realizado com violão, teclado, órgão ou outros instrumentos adequados. Contudo, essas possibilidades musicais não autorizam a alteração do texto da aclamação.

A letra precisa permanecer fiel à fórmula litúrgica aprovada.

O que muda na letra de “Santo, Santo é o Senhor”?

Ao comparar a versão apresentada com o texto do Missal, identificamos diferenças significativas.

A música começa com:

“Santo, Santo é o Senhor, o Deus e Rei do Universo.”

O Missal apresenta:

“Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo!”

Além da diferença na repetição da palavra “Santo”, a música acrescenta a expressão “é o” e substitui a formulação “Senhor Deus do universo” por “o Deus e Rei do Universo”.

Em seguida, a composição apresenta:

“O céu e a terra te proclamam, glorioso entre as nações.”

No texto litúrgico, lemos:

“O céu e a terra proclamam a vossa glória.”

A versão também utiliza:

“Hosana Jesus Cristo, Hosana com amor.”

Essa expressão não corresponde ao texto previsto no Missal para a conclusão da aclamação, que repete:

“Hosana nas alturas!”

Portanto, não se trata apenas de uma diferença de ritmo, melodia ou estilo musical. A composição apresenta alterações no próprio conteúdo verbal do Santo.

A diferença entre “Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo” e “Santo, Santo, Santo é o Senhor”

Existe também uma diferença importante na construção da frase.

Na fórmula do Missal, “Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do universo”, a assembleia se dirige diretamente ao Senhor. É uma aclamação de louvor dirigida a Deus.

Quando acrescentamos “é o” e dizemos “Santo, Santo, Santo é o Senhor”, a estrutura gramatical passa a funcionar como uma declaração sobre quem é o Senhor.

A afirmação de que Deus é santo continua expressando uma verdade da fé cristã. Entretanto, as duas construções não são idênticas: uma se apresenta como aclamação dirigida a Deus, enquanto a outra assume a forma de uma declaração.

Essa distinção ajuda a compreender por que não devemos considerar essas palavras intercambiáveis dentro de uma fórmula litúrgica aprovada.

O problema, portanto, não é afirmar que o Senhor é santo. O problema é substituir a formulação própria da aclamação por outra expressão e tratar a mudança como se não fizesse diferença.

Na liturgia, as palavras não são escolhidas exclusivamente por sua sonoridade ou por sua facilidade de encaixe na melodia. Elas fazem parte da oração que a Igreja celebra.

Por que o Santo não deve receber substituições ou acréscimos?

A resposta está na própria função litúrgica desse momento.

A Oração Eucarística possui uma estrutura e textos próprios. O Santo integra essa oração e é cantado por toda a assembleia em união com o sacerdote.

Por essa razão, não cabe ao ministério de música reformular a aclamação para que ela combine melhor com determinada melodia, nem acrescentar expressões apenas porque parecem mais poéticas ou fáceis de cantar.

É necessário distinguir entre criar uma melodia e alterar um texto litúrgico.

Uma composição musical pode receber arranjos diferentes, mudanças de instrumentação e interpretações variadas. O texto da aclamação, porém, não deve ser substituído por expressões de livre escolha.

A criatividade musical é valiosa, mas precisa respeitar a natureza daquilo que está sendo cantado.

O Santo não é uma apresentação do grupo de canto. É a aclamação da Igreja dentro da Oração Eucarística.

Essa música pode ser utilizada como Santo durante a Missa?

Na forma apresentada neste artigo, a recomendação é não utilizar essa versão como canto do Santo na Missa, porque sua letra não corresponde integralmente ao texto do Missal Romano.

Isso não significa que a melodia seja necessariamente desagradável ou que a música não possa ter valor devocional em outro contexto. Significa que sua adequação para esse momento específico da celebração precisa ser avaliada à luz da função litúrgica e do texto aprovado.

Também não basta trocar uma ou duas palavras isoladas sem verificar o conjunto. Uma eventual adaptação musical precisaria conservar integralmente o texto litúrgico, com uma melodia que se ajuste naturalmente às palavras, sem omissões, substituições ou acréscimos.

Ao escolher o repertório, é mais seguro procurar uma composição cuja letra já esteja de acordo com a fórmula do Missal Romano.

O Santo pode ser cantado durante o Advento e a Quaresma?

Sim. É importante não confundir o Santo com o Glória.

O Santo faz parte da Oração Eucarística e continua presente nas celebrações dos diferentes tempos do Ano Litúrgico. Já o Glória possui normas próprias e, em regra, é omitido durante o Advento e a Quaresma, salvo nas celebrações em que seu uso está previsto.

Entretanto, essa distinção não elimina o problema identificado nesta música.

A questão não é o tempo litúrgico em que ela será cantada, mas a falta de correspondência da letra com o texto do Santo.

Portanto, para qualquer celebração da Missa, a orientação permanece a mesma: escolha uma versão musical que respeite o texto litúrgico aprovado.

Como escolher uma boa música para o Santo?

Na preparação do repertório, recomendo seguir alguns critérios.

Fidelidade ao texto: confira a letra antes de aprender a melodia ou preparar a cifra. Verifique se todas as partes correspondem ao texto litúrgico.

Participação da assembleia: dê preferência a uma composição que permita à comunidade cantar com clareza e naturalidade, sem transformar a aclamação em uma apresentação exclusiva dos músicos.

Clareza das palavras: a melodia e o ritmo devem favorecer a compreensão do texto, sem forçar a pronúncia ou comprometer as palavras.

Adequação ao rito: certifique-se de que a música foi concebida para o momento correto e cumpre a função própria do Santo.

Acompanhamento musical: trabalhe a dinâmica dos instrumentos de maneira equilibrada. Um arranjo simples pode ser muito expressivo quando conduz a assembleia ao louvor.

Esses cuidados ajudam o ministério de música a fazer escolhas mais conscientes e a evitar que uma composição conhecida seja utilizada sem a devida verificação litúrgica.


Perguntas frequentes

O Santo é um canto livre, como o canto de entrada?

Não. O Santo é uma aclamação que integra a própria Oração Eucarística. O canto de entrada acompanha um rito, enquanto o Santo possui uma função ritual própria e deve conservar o texto litúrgico aprovado.

Posso cantar uma música bonita se ela transmitir a mesma mensagem?

A intenção religiosa e a beleza musical são importantes, mas não substituem a fidelidade ao texto. Para o Santo, não basta transmitir uma mensagem semelhante: a letra deve corresponder à fórmula litúrgica prevista no Missal Romano.

Posso alterar a letra para encaixá-la na melodia?

Não se deve reformular livremente o texto do Santo. Uma solução musical precisa respeitar integralmente a aclamação aprovada, sem omitir, substituir ou acrescentar palavras por conveniência do arranjo.

O problema está na melodia ou na letra desta versão?

O problema identificado está na letra apresentada. Uma melodia agradável não torna automaticamente adequada uma composição para determinado momento litúrgico. É preciso considerar o texto e sua função ritual.

O Santo pode ser cantado durante a Quaresma?

Sim. O Santo continua fazendo parte da celebração eucarística durante a Quaresma. A restrição característica desse tempo em relação ao Glória não deve ser confundida com a aclamação do Santo.

Conclusão: cantar bem também significa respeitar a liturgia

A música “Santo, Santo é o Senhor, o Deus e Rei do Universo” nos ajuda a refletir sobre a responsabilidade de quem prepara o repertório da Missa.

Não basta que uma composição seja conhecida, agradável ou fácil de executar. É necessário verificar se sua letra corresponde ao texto litúrgico e se ela cumpre adequadamente a função do momento em que será utilizada.

Neste caso, a versão apresentada modifica expressões importantes do Santo do Missal Romano. Por isso, não deve ser recomendada, com essa letra, para a aclamação da Oração Eucarística.

Como músicos católicos, somos chamados a unir sensibilidade musical, conhecimento litúrgico e responsabilidade pastoral. A criatividade tem seu lugar, mas deve servir à oração da Igreja, e não substituir suas palavras por fórmulas próprias.

Escolher bem uma música não significa apenas encontrar uma melodia bonita. Significa compreender o que a Igreja está celebrando e colocar nossos dons a serviço dessa celebração.

Pax et Bonum!

Rogério Hirota — Universo Litúrgico

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Comentários

  1. Gostaria de ouvir a melodia dessa cifra, já procurei em vários lugares e não encontrei

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    1. Boa Noite, adicionei a música junto com a cifra no artigo. Pax et Bonum

      Excluir

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