Santo, Santo é o Senhor, o Deus e Rei do Universo – Cifra e Sugestão para Missa
A música “Santo, Santo é o Senhor, o Deus e Rei do Universo” é uma daquelas canções litúrgicas que, mesmo sendo antiga, continua tendo espaço nas celebrações de hoje.
Gosto particularmente dessa música porque ela possui uma melodia simples, um ritmo agradável e uma letra que conduz a assembleia diretamente à aclamação do Santo, um dos momentos importantes da Liturgia Eucarística.
Além disso, é uma música que pode ganhar diferentes características dependendo da forma como o músico a executa. Com um violão bem conduzido, por exemplo, é possível utilizar uma interpretação mais solene ou trabalhar um ritmo um pouco mais animado, sem perder o caráter de oração.
Uma Música que Realmente Pertence à Liturgia
É importante lembrar que o canto litúrgico não deve ser escolhido apenas porque é bonito ou porque a assembleia gosta de cantá-lo.
A música precisa estar de acordo com o momento celebrado e ajudar a comunidade a participar da ação litúrgica. A própria Sacrosanctum Concilium, do Concílio Vaticano II, ensina que a música sacra deve estar intimamente unida à ação litúrgica, favorecer a participação dos fiéis e contribuir para a glória de Deus e a santificação do povo.
É justamente nesse ponto que considero interessante esta música.
O texto começa com:
“Santo, Santo é o Senhor, o Deus e Rei do Universo”
e continua com a aclamação:
“O céu e a terra te proclamam...”
seguida pelo tradicional “Hosana nas alturas” e pela aclamação ao que vem em nome do Senhor.
Portanto, estamos diante de um canto que se relaciona diretamente com o texto da aclamação do Santo da Missa.
O canto do Santo não é um simples momento musical inserido na celebração. Ele faz parte da própria estrutura da Liturgia Eucarística. Por isso, quando o ministério de música conduz esse canto, deve procurar favorecer a participação de toda a assembleia, e não transformar esse momento em uma apresentação do grupo de canto.
Quando posso cantar essa música na Missa?
Aqui está uma diferença importante.
O Santo é cantado durante a Liturgia Eucarística, depois do Prefácio e antes da Oração Eucarística. Portanto, a música não deve ser utilizada como canto de entrada, ofertório, comunhão ou final simplesmente porque contém a palavra “Santo”.
Seu lugar próprio é o momento da aclamação do Santo.
Por isso, considero esta uma música bastante versátil para o ministério de música: ela pode ser utilizada em diferentes celebrações e em praticamente todos os períodos do Ano Litúrgico, desde que esteja adequada à celebração e ao texto litúrgico utilizado.
Tempo do Advento
Pode ser utilizada no Advento. É importante, porém, não confundir o Santo com o Glória.
No Advento, há particularidades próprias da celebração e o Glória não é cantado, salvo nas celebrações e solenidades previstas. Isso não significa que o Santo seja retirado da Missa.
Tempo do Natal
É uma boa opção para celebrações do Tempo do Natal. A sonoridade pode inclusive receber uma interpretação mais solene e festiva, de acordo com a celebração.
Tempo da Quaresma
Também pode ser cantada durante a Quaresma.
Novamente, é importante lembrar que a ausência do Glória na maioria das celebrações quaresmais não significa ausência do Santo. São momentos litúrgicos diferentes.
Durante a Quaresma, eu particularmente optaria por uma interpretação mais sóbria, evitando transformar a aclamação em um momento excessivamente festivo.
Tempo Pascal
Aqui a música pode ganhar uma característica especialmente alegre.
O “Hosana” e a aclamação ao Senhor podem ser conduzidos com mais força pela assembleia, especialmente nas celebrações pascais e no período em que a Igreja celebra de maneira particular a Ressurreição de Cristo.
Tempo Comum
É provavelmente o período em que esta música encontrará maior facilidade de utilização, justamente pela sua simplicidade e por permitir diferentes formas de acompanhamento.
Por que considero esta uma boa música litúrgica?
Na minha opinião, um dos pontos fortes dessa música é justamente sua simplicidade.
Ela não exige uma estrutura musical complicada para funcionar bem na assembleia. O violonista consegue acompanhá-la com poucos acordes, enquanto a comunidade consegue memorizar e cantar o refrão com facilidade.
Isso é muito importante para o músico católico.
A música na Missa não deve ser pensada apenas para quem está cantando no altar. Ela deve ajudar toda a assembleia a rezar e participar.
O Papa Bento XVI também destacou que o canto litúrgico não deve ser entendido apenas como um elemento decorativo, mas como serviço à oração e à participação da comunidade.
Por isso, acredito que músicas mais simples como esta podem ser muito úteis, principalmente em comunidades onde o ministério de música trabalha com poucos instrumentos.
Uma música antiga que pode ganhar uma nova interpretação
Uma característica que gosto nesta música é a possibilidade de trabalhar diferentes ritmos.
Ela pode ser executada de maneira mais tradicional e solene, mas também pode receber uma interpretação um pouco mais movimentada, desde que o ritmo não faça com que a música perca sua função litúrgica.
Esse é um cuidado importante.
Animar a música não significa transformar a aclamação em um show.
O objetivo continua sendo conduzir a assembleia para aquilo que está acontecendo no altar.
Como músico católico, considero que esse equilíbrio é fundamental: podemos utilizar os recursos musicais disponíveis hoje, mas precisamos sempre perguntar se a maneira como estamos tocando realmente ajuda a comunidade a rezar.
A própria Igreja reconhece a possibilidade de diferentes formas musicais, desde que estejam de acordo com a ação litúrgica e favoreçam a participação dos fiéis.
Cifra – Santo, Santo é o Senhor
Abaixo deixo a cifra da música no tom apresentado no artigo original, em Ré menor (Dm).
Dm C Bb A
SANTO, SANTO É O SENHOR
O DEUS E REI DO UNIVERSO
Dm C Bb A
O CÉU E A TERRA TE PROCLAMAM
GLORIOSO ENTRE AS NAÇÕES
Dm C Bb A7
HOSANA, HOSANA!
HOSANA NAS ALTURAS (Bis)
Dm C
BENDITO O QUE VEM EM NOME DO SENHOR
Bb A7
HOSANA JESUS CRISTO
HOSANA COM AMOR
Dm C
BENDITO O QUE VEM EM NOME DO SENHOR
Bb A7
HOSANA JESUS CRISTO
HOSANA COM AMOR
Uma dica para o ministério de música
Se você estiver preparando essa música para uma Missa, experimente primeiro cantar a melodia de forma simples, deixando a assembleia assumir o canto.
Depois, trabalhe a dinâmica.
Comece com um acompanhamento mais leve e permita que o “Hosana” cresça naturalmente. Isso pode dar à música uma sensação de aclamação sem precisar aumentar exageradamente o volume dos instrumentos.
No violão, também é possível trabalhar diferentes levadas. Uma execução mais suave pode funcionar muito bem em celebrações mais sóbrias, enquanto uma condução mais marcada pode funcionar em celebrações festivas.
O mais importante é não esquecer que o protagonista é a aclamação da Igreja, e não o músico.
Minha opinião sobre esta música
Eu considero “Santo, Santo é o Senhor, o Deus e Rei do Universo” uma boa opção para o repertório litúrgico justamente porque é uma música simples, conhecida por muitas comunidades e que pode ser adaptada musicalmente sem perder sua identidade.
É uma daquelas canções que mostram que uma música não precisa ser nova para continuar sendo útil.
Com uma boa interpretação, um ritmo adequado e, principalmente, consciência do momento litúrgico, ela pode funcionar muito bem nas celebrações atuais.
Para mim, esse é um dos grandes desafios do músico católico: não simplesmente tocar músicas bonitas, mas escolher e executar cada canto de maneira que ele realmente sirva à Liturgia.
A música sacra, como recorda a tradição da Igreja, está a serviço da glória de Deus e da santificação dos fiéis.
E é exatamente esse critério que devemos procurar quando montamos o repertório de uma Missa.
Pax et Bonum!
Rogério Hirota
Universo Litúrgico – Música, Liturgia e Formação para o Músico Católico

Gostaria de ouvir a melodia dessa cifra, já procurei em vários lugares e não encontrei
ResponderExcluirBoa Noite, adicionei a música junto com a cifra no artigo. Pax et Bonum
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