Fala que teu servo escuta

 


Fala-me, Senhor, que teu servo escuta!”

Autor: Rogério Hirota

Uma música para preparar o coração para a escuta do Evangelho . Uma música para interiorizar a Palavra

Um cuidado importante para o Ministério de Música

Menos música, mais escuta “Fala, que teu servo escuta”



Ficha da música
Intérprete: Liturgia
Cifra
D       G                                     D          G
FALA, QUE TEU SERVO ESCUTA.
D                                   G
FALA-ME, SENHOR,
                                      D                        G
QUE TEU SERVO ESCUTA!
D                                      G
FALA-ME, SENHOR,
                                     D                   G        D
QUE TEU SERVO ESCUTA!



Existem momentos dentro da celebração litúrgica em que o silêncio e a música podem ajudar a comunidade a interiorizar aquilo que acabou de ouvir. Depois da proclamação do Evangelho, por exemplo, algumas comunidades costumam utilizar uma música de caráter meditativo enquanto os fiéis se acomodam e se preparam para ouvir a homilia.


É justamente nesse contexto que “Fala, que teu servo escuta” pode encontrar um espaço adequado.


A música é simples, breve e possui uma mensagem profundamente ligada à atitude que somos chamados a assumir diante da Palavra de Deus: escutar.


“Fala, que teu servo escuta".


 

A frase nos remete à passagem bíblica em que Samuel, ainda jovem, é chamado pelo Senhor e aprende a reconhecer Sua voz. Ao responder “Fala, que teu servo escuta”, Samuel demonstra uma disposição fundamental para a vida de fé: abrir o coração para ouvir aquilo que Deus quer dizer.


Após a proclamação do Evangelho, a comunidade acabou de ouvir a Palavra de Cristo. É um momento que pede atenção, silêncio e disposição interior.


Quando uma música como esta é utilizada nesse contexto, sua função não é simplesmente “preencher” o espaço enquanto a assembleia se acomoda. Se utilizada de maneira adequada, ela pode favorecer uma atitude de recolhimento e ajudar a comunidade a passar da escuta externa para uma escuta interior.


A repetição da frase é justamente o que dá à música esse caráter meditativo. Não há necessidade de uma grande elaboração musical. A força está na simplicidade da oração.


“Fala, Senhor. Teu servo está aqui para escutar.”


É uma disposição que prepara o coração para aquilo que virá em seguida: a reflexão sobre o Evangelho proclamado.


É importante fazer uma distinção.


“Fala, que teu servo escuta” não é um canto próprio da Liturgia da Palavra e não deve ser apresentada como parte obrigatória da estrutura da celebração.


Algumas paróquias e comunidades possuem o costume de utilizar uma música meditativa nesse momento, enquanto a assembleia se acomoda e se prepara para a homilia. Quando esse costume existe e é pastoralmente adequado, uma música como esta pode ser utilizada como recurso de preparação e interiorização.


Porém, é importante compreender que a música não substitui o silêncio, não acrescenta um novo rito e não deve competir com a proclamação da Palavra ou com a homilia.


Seu objetivo deve ser muito mais simples: ajudar a comunidade a se recolher.


A inspiração da música encontra uma bela correspondência na história de Samuel.


Samuel ouve o chamado de Deus, mas inicialmente não compreende que é o Senhor quem está falando. Orientado por Eli, aprende a responder:


“Fala, porque teu servo escuta.”


Essa pequena frase contém uma verdadeira espiritualidade da escuta.


Escutar a Palavra de Deus não significa apenas ouvir palavras durante a celebração. Significa permitir que aquilo que foi proclamado encontre espaço dentro de nós.


Por isso, depois do Evangelho, a comunidade não deveria estar preocupada apenas em “passar para a próxima parte” da celebração. É necessário criar condições para que a Palavra seja acolhida, compreendida e colocada em prática.


Nesse sentido, uma breve música meditativa pode ajudar a expressar justamente essa disposição:


“Senhor, fala comigo. Eu estou aqui. Quero escutar.”


Para o músico católico, existe aqui uma importante responsabilidade.


Nem toda música religiosa precisa ser colocada dentro da celebração simplesmente porque sua letra fala de Deus. Cada canto possui uma função e deve ser utilizado de acordo com o momento celebrativo.


No caso de “Fala, que teu servo escuta”, seu caráter repetitivo, contemplativo e orante combina especialmente com um momento de interiorização.


Por isso, se a comunidade possui o costume de utilizar uma música meditativa depois do Evangelho, é importante que a execução seja simples, serena e discreta.


Não é necessário transformar esse momento em uma apresentação musical.


O músico não deve chamar a atenção para si. A música deve conduzir a assembleia para aquilo que realmente importa: a Palavra de Deus que acabou de ser proclamada e a reflexão que será feita na homilia.


Uma das grandes tentações do Ministério de Música é acreditar que todos os momentos da celebração precisam ser preenchidos com música.


Mas a Liturgia também fala através do silêncio.


Por isso, mesmo quando essa música é utilizada, pode ser muito mais importante permitir que ela conduza naturalmente a assembleia ao silêncio do que prolongá-la desnecessariamente.


A música termina.

A comunidade silencia.

E então começa a homilia.


Esse movimento pode ser muito significativo: a música prepara para o silêncio, o silêncio prepara para a reflexão e a reflexão ajuda a transformar a Palavra em vida.


É uma música pequena, mas sua mensagem é grande.


Ela nos recorda que participar da celebração não significa apenas estar presente, cantar ou acompanhar os textos. Somos chamados, antes de tudo, a escutar.


Escutar Deus.

Escutar Sua Palavra.

Escutar o Evangelho.


E permitir que essa Palavra transforme nossa maneira de viver.


Se sua paróquia possui o costume de utilizar uma música meditativa após a proclamação do Evangelho, “Fala, que teu servo escuta” pode ser uma escolha bastante adequada para esse momento, justamente por sua simplicidade e por conduzir a assembleia a uma atitude de oração e escuta.


Porque, antes de perguntarmos o que temos a dizer a Deus, talvez seja necessário fazer aquilo que Samuel aprendeu:


“Fala, Senhor. Teu servo escuta.”

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