Vai Falar no Evangelho – Ir. Míria Therezinha Kolling | Cifra
“Vai Falar no Evangelho”, de Ir. Míria Therezinha Kolling, é uma Aclamação ao Evangelho alegre e de fácil participação, que prepara a assembleia para acolher Cristo presente em sua Palavra.
A letra apresenta o Evangelho como alimento que dá vida e recorda que aquilo que estamos prestes a ouvir não é uma palavra qualquer: é Jesus Cristo que fala ao seu povo.
Ouça “Vai Falar no Evangelho”
Cifra – Vai Falar no Evangelho
Tom: D (Ré maior)
D Em
Vai falar no Evangelho
A7 D
Jesus Cristo, aleluia!
Em
Sua Palavra é alimento
A7 D D7
Que dá vida, aleluia!
G A7 D Bm
Glória a Ti, Senhor,
Em A7 D D7
Toda graça e louvor.
G A7 D Bm
Glória a Ti, Senhor,
Em A7 D
Toda graça e louvor.
D Em
A mensagem da alegria
A7 D
Ouviremos, aleluia!
Em
De Deus as maravilhas
A7 D D7
Cantaremos, aleluia!
G A7 D Bm
Glória a Ti, Senhor,
Em A7 D D7
Toda graça e louvor.
G A7 D Bm
Glória a Ti, Senhor,
Em A7 D
Toda graça e louvor.Sobre “Vai Falar no Evangelho”
Título: Vai Falar no Evangelho
Autora: Ir. Míria Therezinha Kolling
Intérprete/gravação: Míria Therezinha Kolling
Álbum: O Senhor, Minha Festa – 35 Anos de Música Litúrgica
Ano dessa gravação: 2005
Momento litúrgico: Aclamação ao Evangelho
Tom da cifra apresentada: D (Ré maior)
A composição possui uma característica muito própria de muitos cantos de Míria Kolling: uma letra simples, facilmente compreendida pela assembleia, mas com conteúdo catequético bastante claro.
Em poucos versos, a música explica por que estamos cantando antes do Evangelho.
“Vai falar no Evangelho Jesus Cristo”
A primeira frase praticamente explica a função da Aclamação:
“Vai falar no Evangelho Jesus Cristo, aleluia!”
Não estamos simplesmente aguardando mais uma leitura.
A proclamação do Evangelho ocupa um lugar especial dentro da Liturgia da Palavra porque nela ouvimos as palavras e os acontecimentos da vida de Jesus Cristo.
Por isso a assembleia se coloca de pé e aclama aquele que vai falar.
A frase de Míria Kolling é especialmente catequética porque ajuda a comunidade a compreender o que está acontecendo naquele momento da celebração.
Estamos nos preparando para escutar Cristo.
“Sua Palavra é alimento que dá vida”
A segunda frase aprofunda ainda mais essa ideia:
“Sua Palavra é alimento que dá vida, aleluia!”
A imagem da Palavra como alimento aparece diversas vezes nas Escrituras.
Jesus afirma:
“Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.”
Mt 4,4
A Palavra de Deus alimenta porque ilumina, corrige, consola, orienta e transforma nossa maneira de viver.
Existe também uma bonita ligação com o discurso do Pão da Vida, em João 6.
Na Missa encontramos justamente essas duas mesas:
a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia.
Primeiro somos alimentados pela Palavra proclamada. Depois somos conduzidos à mesa eucarística.
“A mensagem da alegria ouviremos”
A segunda estrofe começa:
“A mensagem da alegria ouviremos, aleluia!”
A própria palavra Evangelho significa Boa-Nova.
Por isso, falar em uma “mensagem da alegria” combina profundamente com aquilo que a Igreja anuncia.
O Evangelho proclama a Boa-Nova da salvação realizada em Jesus Cristo.
Essa alegria não significa que todas as páginas do Evangelho sejam fáceis ou confortáveis.
Cristo também chama à conversão, denuncia o pecado e apresenta exigências aos seus discípulos.
Mas até mesmo esse chamado à conversão faz parte da Boa-Nova, porque Deus oferece ao homem um caminho novo.
“De Deus as maravilhas cantaremos”
A estrofe continua:
“De Deus as maravilhas cantaremos, aleluia!”
Quem escuta verdadeiramente a Palavra não permanece indiferente.
A Palavra desperta uma resposta.
Essa resposta pode aparecer na forma de conversão, oração, testemunho, ação de graças e louvor.
A música expressa justamente essa passagem:
ouvimos aquilo que Deus realizou e respondemos proclamando suas maravilhas.
É o movimento natural da fé: Deus fala e seu povo responde.
“Glória a Ti, Senhor”
O refrão:
“Glória a Ti, Senhor, toda graça e louvor”
direciona novamente a atenção para Cristo.
Não se trata de celebrar o livro, o leitor ou o próprio canto.
A aclamação é dirigida ao Senhor que fala à sua Igreja.
Esse é um detalhe importante para os ministérios de música: a execução deve favorecer a participação da comunidade e conduzi-la ao Evangelho, e não transformar esse momento em uma apresentação musical independente.
Temas litúrgicos e Evangelhos em que esta música se encaixa
“Vai Falar no Evangelho” possui uma letra bastante abrangente.
Os principais temas são:
Palavra de Deus, Evangelho, escuta, alimento espiritual, Boa-Nova, alegria e louvor.
Por isso, ela pode dialogar com muitos Evangelhos ao longo do ano.
Mateus 4,1-11 – “Nem só de pão vive o homem”
A relação com a frase:
“Sua Palavra é alimento que dá vida”
é muito clara.
Durante as tentações no deserto, Jesus responde:
“Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.”
A Palavra é apresentada como alimento necessário para a vida do homem.
Há, porém, uma particularidade litúrgica: esse Evangelho aparece tradicionalmente no início da Quaresma, período em que não se canta Aleluia. Portanto, a afinidade temática existe, mas a música em sua forma original não é a opção adequada para esse tempo.
João 6 – O Pão da Vida
Ao longo do capítulo 6 de João, Jesus desenvolve profundamente o tema do alimento que conduz à vida.
Quando a liturgia percorre o discurso do Pão da Vida, a frase da música:
“Sua Palavra é alimento que dá vida”
ganha uma ressonância especialmente bonita.
A celebração mostra Cristo que alimenta seu povo tanto pela Palavra quanto pela Eucaristia.
Lucas 4,16-21 – Hoje se cumpriu esta Escritura
Na sinagoga de Nazaré, Jesus lê o profeta Isaías e anuncia:
“Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir.”
É um Evangelho muito interessante para compreender que a Palavra de Deus não pertence simplesmente ao passado.
Ela é proclamada e acolhida hoje.
Isso dialoga diretamente com:
“Vai falar no Evangelho Jesus Cristo.”
Marcos 1,14-15 – A Boa-Nova do Reino
Jesus anuncia:
“O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho.”
Aqui encontramos uma relação especial com:
“A mensagem da alegria ouviremos.”
O Evangelho é justamente a Boa-Nova anunciada por Cristo.
Lucas 8,4-15 – A parábola do semeador
Na parábola do semeador, Jesus apresenta diferentes maneiras de receber a Palavra.
A semente que cai em terra boa produz fruto.
Esse Evangelho ajuda a aprofundar aquilo que cantamos antes da proclamação: não basta simplesmente ouvir a Palavra. É necessário acolhê-la e permitir que ela produza frutos.
Lucas 24,13-35 – Os discípulos de Emaús
No caminho de Emaús, Jesus explica as Escrituras aos discípulos.
Mais tarde eles reconhecem:
“Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?”
Essa passagem possui grande afinidade com a ideia central de “Vai Falar no Evangelho”.
Cristo fala e sua Palavra transforma o coração.
João 20,19-31 – Para que tenhais vida
Ao concluir seu Evangelho, João explica que os sinais de Jesus foram escritos para que os leitores creiam e, crendo, tenham vida em seu nome.
Novamente encontramos uma bela aproximação com:
“Sua Palavra é alimento que dá vida.”
Uma música que explica a própria Aclamação
Uma das maiores qualidades pastorais de “Vai Falar no Evangelho” é justamente sua simplicidade.
Mesmo alguém que conheça pouco sobre a estrutura da Missa consegue compreender o que está acontecendo:
Jesus vai falar.
Nós vamos ouvir.
Sua Palavra nos alimenta.
E nós respondemos com louvor.
Por isso, a composição pode funcionar particularmente bem em celebrações com crianças, jovens, catequizandos e comunidades que valorizam repertórios de participação simples.
Isso não significa, porém, que seja uma música exclusivamente infantil. Sua mensagem é válida para qualquer assembleia.
E o versículo próprio da Aclamação?
Este é um ponto importante ao preparar a música.
As estrofes de “Vai Falar no Evangelho” fazem parte da composição original.
Entretanto, elas não correspondem necessariamente ao versículo próprio da Aclamação previsto para cada celebração.
Fora da Quaresma, a estrutura de referência é:
Aleluia → versículo próprio → Aleluia.
Por isso, o ministério deve consultar o versículo previsto para o dia.
Quando houver possibilidade musical, pode-se conservar a melodia da aclamação e utilizar o versículo próprio da celebração, desde que a adaptação seja preparada previamente e preserve o texto litúrgico.
Pode cantar “Vai Falar no Evangelho” no Advento?
Sim.
O Aleluia não é omitido no Advento.
Existe certa confusão sobre isso porque o Glória normalmente não é cantado nos domingos do Advento.
Mas são situações diferentes.
Portanto, uma Aclamação com Aleluia pode ser utilizada durante o Advento, observando-se o versículo próprio da celebração.
Pode cantar durante a Quaresma?
Não em sua forma original.
Durante a Quaresma, o Aleluia é omitido.
Como “Vai Falar no Evangelho” utiliza repetidamente o Aleluia em suas estrofes, é melhor escolher uma aclamação especificamente apropriada ao período quaresmal.
Para esse tempo, por exemplo, repertórios como “Bendita a Palavra do Senhor”, que acabamos de recuperar para o Universo Litúrgico, oferecem uma alternativa mais apropriada.
Como tocar “Vai Falar no Evangelho”
A harmonia apresentada em Ré maior (D) é bastante acessível.
Os principais acordes são:
D – Em – A7 – G – Bm
Isso permite que a música seja acompanhada facilmente por violão e teclado, inclusive por ministérios iniciantes.
A primeira parte:
“Vai falar no Evangelho...”
pode começar com acompanhamento mais leve.
Em:
“Jesus Cristo, aleluia!”
a dinâmica pode crescer discretamente.
O refrão:
“Glória a Ti, Senhor...”
é o momento mais natural para ampliar o acompanhamento e favorecer a participação de toda a assembleia.
Como estamos diante de uma Aclamação ao Evangelho, é preferível manter uma execução alegre, objetiva e participativa, evitando introduções instrumentais excessivamente longas.
O objetivo é conduzir a comunidade para aquilo que vem imediatamente depois:
a proclamação do Evangelho.
A simplicidade a serviço da liturgia
Ir. Míria Therezinha Kolling possui uma extensa contribuição para a música litúrgica católica brasileira, e “Vai Falar no Evangelho” mostra uma característica recorrente em seu trabalho: transmitir uma mensagem teológica de maneira simples e cantável.
A música não exige uma explicação complicada para cumprir sua função.
A própria assembleia canta:
“Vai falar no Evangelho Jesus Cristo.”
É praticamente uma catequese cantada sobre o momento que estamos celebrando.
Quando uma composição consegue unir participação, simplicidade e compreensão da liturgia, ela pode continuar sendo útil mesmo muitos anos depois de sua criação.
Perguntas frequentes
Quem compôs “Vai Falar no Evangelho”?
A música é de Ir. Míria Therezinha Kolling, importante compositora do repertório litúrgico católico brasileiro.
Quem canta “Vai Falar no Evangelho”?
Existe gravação interpretada por Míria Therezinha Kolling.
Em qual álbum encontramos a música?
Uma das gravações está no álbum O Senhor, Minha Festa – 35 Anos de Música Litúrgica.
Para qual momento da Missa a música é indicada?
Para a Aclamação ao Evangelho.
Qual é o tom da cifra apresentada?
A cifra está em Ré maior (D).
Qual é a mensagem principal da música?
A composição apresenta Jesus Cristo que fala no Evangelho e sua Palavra como alimento que dá vida.
Pode ser cantada no Advento?
Sim. O Aleluia continua sendo utilizado no Advento. Deve-se, porém, observar o versículo próprio da Aclamação previsto para a celebração.
Pode ser cantada na Quaresma?
Não em sua forma original, pois utiliza o Aleluia, que é omitido durante a Quaresma.
A estrofe da música substitui o versículo próprio do dia?
Não automaticamente. O ministério deve verificar o versículo da Aclamação previsto para aquela celebração e utilizá-lo conforme as normas litúrgicas.
“Vai falar no Evangelho Jesus Cristo”
Talvez a maior qualidade dessa música esteja justamente nessa frase.
Ela recorda ao músico e à assembleia por que estamos cantando.
Não estamos apenas introduzindo uma leitura.
Estamos preparando o coração para acolher Cristo que nos fala por meio do Evangelho.
E a resposta que a composição propõe é igualmente simples:
escutar, acolher e louvar.
A Palavra recebida torna-se alimento para que aquilo que celebramos dentro da igreja possa continuar sendo vivido depois da Missa.
Desde 2010, o Universo Litúrgico trabalha com música litúrgica católica, cifras e formação, procurando preservar esse repertório e ajudar músicos e comunidades a compreender não somente como tocar uma música, mas também quando e por que ela se encaixa na celebração.
Pax et Bonum!
Rogério Hirota
Universo Litúrgico

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