Glória a Deus nas Alturas – Pe. Lindomar Lopes da Silva | Cifra e orientação litúrgica
“Cantemos Glória! Glória a Deus nas alturas!”
Glória a Deus nas Alturas, do Pe. Lindomar Lopes da Silva, é um conhecido canto católico de louvor presente no CD Fazei Isso em Memória de Mim.
Com uma melodia alegre e bastante participativa, a composição percorre grande parte do conteúdo do tradicional Hino do Glória: o louvor ao Pai, a aclamação a Jesus Cristo como Filho Unigênito e Cordeiro de Deus, a súplica pela misericórdia e a conclusão trinitária.
Por muitos anos, cantos como este estiveram presentes no repertório das comunidades católicas brasileiras e foram utilizados como Hino de Louvor na Santa Missa. Entretanto, quando revisitamos repertórios antigos, é importante também confrontá-los com as atuais orientações litúrgicas da Igreja.
E esta música apresenta justamente um caso que merece atenção.
Música: Glória a Deus nas Alturas
Compositor: Pe. Lindomar Lopes da Silva
Álbum: Fazei Isso em Memória de Mim
Tom da cifra: G (Sol maior)
Vídeo – Glória a Deus nas Alturas
Acompanhe abaixo nossa análise e, ao final do artigo, confira a cifra completa em Sol maior.
Glória a Deus nas Alturas pode ser cantada na Missa?
A composição do Pe. Lindomar Lopes da Silva possui forte inspiração no texto do Glória, antigo hino de louvor da tradição cristã cantado ou recitado na celebração da Santa Missa nos dias previstos pelo calendário litúrgico.
Entretanto, existe uma diferença importante entre uma música inspirada no Glória e uma composição musical do próprio texto litúrgico do Glória.
A Instrução Geral do Missal Romano, ao tratar desse momento da celebração, determina que o texto do hino não seja substituído por outro.
Na versão atualmente utilizada no Brasil, o Glória começa:
“Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens por ele amados.”
A composição do Pe. Lindomar conserva essa mensagem e grande parte das demais invocações do hino, mas faz adaptações musicais e textuais.
O acréscimo frequente de “Cantemos”, a transformação do início em um refrão que retorna entre as partes e algumas mudanças na disposição das frases fazem com que a composição não corresponda integralmente à forma ritual do texto atualmente presente no Missal Romano.
Por isso, considerando as normas atuais, o Universo Litúrgico recomenda dar preferência, para o Hino do Glória da Missa, às melodias que musicalizam fielmente o texto litúrgico aprovado.
Essa observação é especialmente importante para músicos que estão revisando repertórios mais antigos.
Então esta música deixou de ter valor?
De forma alguma.
É preciso distinguir qualidade musical, conteúdo católico e adequação a um momento ritual específico.
A composição possui um conteúdo claramente cristão e conserva numerosos elementos do próprio hino litúrgico:
louva e glorifica Deus Pai;
proclama Jesus Cristo como Filho Unigênito e Cordeiro de Deus;
suplica a misericórdia de Cristo;
proclama Cristo como Santo, Senhor e Altíssimo;
termina fazendo referência ao Espírito Santo e à glória de Deus Pai.
Portanto, não estamos diante de uma letra estranha ao conteúdo do Glória. O ponto é mais específico: para cantar o Hino do Glória dentro da Missa, o texto litúrgico possui uma forma própria que deve ser respeitada.
A música pode continuar sendo aproveitada como canto de louvor em encontros de oração, retiros, grupos, momentos de evangelização, catequese e outras atividades pastorais fora da celebração eucarística, conforme o contexto.
Por que antigamente encontramos tantos “Glórias” diferentes?
Quem participou de ministérios de música durante as últimas décadas provavelmente conhece várias composições chamadas simplesmente de “Glória”.
Algumas reproduzem praticamente todo o texto litúrgico; outras fazem paráfrases; outras acrescentam refrões e aclamações; e existem ainda músicas de louvor à Santíssima Trindade que receberam popularmente o nome de “Glória”.
Isso ajuda a explicar por que muitos repertórios antigos apresentam versões bastante diferentes umas das outras.
A Igreja no Brasil passou também pela implementação da tradução brasileira da 3ª edição típica do Missal Romano, cujo uso se tornou obrigatório no país a partir do Advento de 2023.
Por isso, ao recuperar uma música antiga, não basta perguntar apenas:
“Nós sempre cantamos esta música na Missa?”
Também precisamos perguntar:
“A letra corresponde ao texto litúrgico que a Igreja nos pede para cantar hoje?”
Essa verificação é uma responsabilidade importante de quem exerce o ministério da música.
O que é o Hino do Glória na Missa?
O Glória não é simplesmente uma “música animada” colocada depois do Ato Penitencial.
É um hino litúrgico próprio, no qual a Igreja reunida glorifica a Deus Pai e suplica ao Cordeiro, culminando na proclamação de Jesus Cristo com o Espírito Santo na glória de Deus Pai.
Por isso, sua escolha não funciona da mesma maneira que a seleção de um canto de entrada ou de uma música para outro momento pastoral.
O critério principal não deve ser apenas ritmo, beleza da melodia ou popularidade da composição. O próprio texto ritual precisa ser preservado.
Essa distinção é fundamental na formação de músicos católicos.
Quando o Glória é cantado?
O Glória não é utilizado indistintamente em todas as Missas.
De modo geral, ele é cantado ou recitado aos domingos fora do Advento e da Quaresma, nas solenidades e festas e em celebrações particulares mais solenes, conforme as normas litúrgicas.
Isso significa, por exemplo, que não devemos escolher um “Glória mais simples” para a Quaresma: nesse período, normalmente o próprio hino é omitido.
O mesmo princípio ajuda o ministério de música a compreender que cada canto possui uma função dentro da celebração.
Uma característica musical de “Glória a Deus nas Alturas”
Uma das características que provavelmente ajudou esta composição a permanecer na memória de tantas comunidades é o refrão:
“Cantemos Glória! Glória a Deus nas alturas!”
Ele é simples, alegre e facilmente assimilável pela assembleia.
A tonalidade em Sol maior (G) também permite uma execução relativamente acessível ao violão e ao teclado, utilizando acordes bastante conhecidos como G, Em, C, Am e D.
A repetição do refrão entre as partes proporciona ainda uma estrutura bastante clara para a assembleia.
Curiosamente, justamente aquilo que funciona muito bem musicalmente — transformar a abertura em refrão e repeti-la — é o que exige atenção quando pensamos especificamente no texto ritual do Glória, que possui uma sequência própria.
É um excelente exemplo de como qualidade musical e adequação litúrgica são questões relacionadas, mas não idênticas.
Cifra – Glória a Deus nas Alturas
Pe. Lindomar Lopes da Silva
Tom: G (Sol maior)
Tom: G
[Intro] G Em C Am D C D G
D
Cantemos
G Em
Glória! Glória a Deus nas alturas!
Cantemos
C Am D
Glória! A Deus e paz aos homens
Cantemos
G Em
Glória! Glória a Deus nas alturas!
Cantemos
C Am D
Glória! A Deus e paz aos homens
C D
Por Ele amados, cantemos
C D G
Gló-ó-ria
C
Senhor, Rei dos céus,
D Bm Em
Deus Pai todo-poderoso,
Am
Nós vos louvamos,
D G
Nós vos bendizemos,
C
Vos adoramos,
D Bm Em
Vos glorificamos,
Am
Vos damos graças
D C D G
Por vossa imensa gló-ó-ria
D
Cantemos
G Em
Glória! Glória a Deus nas alturas!
Cantemos
C Am D
Glória! A Deus e paz aos homens
Cantemos
G Em
Glória! Glória a Deus nas alturas!
Cantemos
C Am D
Glória! A Deus e paz aos homens
C D
Por Ele amados, cantemos
C D G
Gló-ó-ria
C
Senhor Jesus Cristo,
D Bm Em
Do Pai, Filho Unigênito,
Am
Cordeiro de Deus,
D G
Filho de Deus Pai.
C
Vós que tirais
D Bm Em
O pecado do mundo,
Am
Tende piedade,
D C D G
Acolhei a nossa sú-pli-ca
D
Cantemos
G Em
Glória! Glória a Deus nas alturas!
Cantemos
C Am D
Glória! A Deus e paz aos homens
Cantemos
G Em
Glória! Glória a Deus nas alturas!
Cantemos
C Am D
Glória! A Deus e paz aos homens
C D
Por Ele amados, cantemos
C D G
Gló-ó-ria
C
Só vós sois o Santo,
D Bm Em
Do Pai à direita estais,
Am
Tende piedade,
D G
Tende piedade de nós.
C
Só vós, o Altíssimo,
D Bm Em
Senhor Jesus Cristo,
Am
Com o Espírito Santo,
D C
Na glória de Deus Pai.
D G
A-mém!
D
Cantemos
G Em
Glória! Glória a Deus nas alturas!
Cantemos
C Am D
Glória! A Deus e paz aos homens
Cantemos
G Em
Glória! Glória a Deus nas alturas!
Cantemos
C Am D
Glória! A Deus e paz aos homens
C D
Por Ele amados, cantemos
C D G
Gló-ó-ria
Orientação para os ministérios de música
Ao recuperar esta música para o repertório, vale a pena aproveitá-la também como oportunidade de formação.
Músicas católicas antigas não precisam simplesmente ser descartadas porque já não são a escolha mais adequada para determinado momento da Missa. Muitas podem continuar servindo à evangelização em outros contextos.
Para o Hino do Glória na celebração eucarística, porém, nossa recomendação atual é simples: procure uma melodia que mantenha integralmente o texto aprovado no Missal Romano.
Dessa maneira, a música fica verdadeiramente a serviço da ação litúrgica.
Perguntas frequentes
“Glória a Deus nas Alturas”, do Pe. Lindomar Lopes da Silva, é um Glória litúrgico?
A música é baseada fortemente no Hino do Glória e conserva grande parte de seu conteúdo. Entretanto, possui acréscimos, repetições e alterações na disposição do texto. Por isso, não reproduz integralmente a forma ritual atualmente utilizada no Missal Romano.
Posso cantar esta música no lugar do Glória durante a Missa?
À luz da orientação atual da Instrução Geral do Missal Romano, deve-se dar preferência a uma composição musical que preserve o texto litúrgico do Glória, sem substituí-lo por outra formulação.
Onde posso utilizar esta música?
Ela pode ser aproveitada como canto de louvor em encontros, grupos de oração, retiros, catequese, evangelização e outros momentos pastorais apropriados fora da celebração eucarística.
Quem canta “Glória a Deus nas Alturas”?
A composição apresentada neste artigo é atribuída ao Pe. Lindomar Lopes da Silva e integra o CD Fazei Isso em Memória de Mim.
Em qual tom está a cifra?
A cifra publicada pelo Universo Litúrgico está em Sol maior (G).
O Glória é cantado durante a Quaresma e o Advento?
Normalmente, não. O Glória é cantado ou recitado aos domingos fora do Advento e da Quaresma, bem como nas solenidades, festas e em celebrações particulares mais solenes, conforme as normas litúrgicas.
Formação litúrgica também faz parte do ministério
O repertório musical da Igreja atravessa gerações. Algumas músicas permanecem plenamente adequadas à sua função original; outras precisam ser revisitadas à luz dos livros litúrgicos e das orientações atuais.
Preservar uma música em nosso acervo não significa necessariamente recomendá-la para todo contexto.
No Universo Litúrgico, queremos fazer justamente esse trabalho: recuperar músicas que marcaram nossas comunidades, disponibilizar suas cifras e gravações e, ao mesmo tempo, oferecer informações para que músicos e equipes de liturgia possam fazer escolhas cada vez mais conscientes.
Rogério Hirota
Pax et Bonum!
Universo Litúrgico

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