Ministério de Música na Santa Missa



Ministério de Música na Santa Missa: Respeito, Serviço e Harmonia na Liturgia

Autor: Rogério Hirota
Escrito em: 14 de maio de 2010
Fonte: Exsurge Domini

Todos nós que desempenhamos alguma atividade dentro da Igreja fomos chamados a um serviço, a uma missão, a um ministério confiado pelo Senhor.

Esses serviços podem assumir as mais diversas formas: o ministério sacerdotal do padre, o ministério diaconal do diácono e tantos outros serviços exercidos pelos leigos, como o Ministério Extraordinário da Sagrada Comunhão, a equipe de liturgia, a acolhida, o ministério de música, a sacristia, entre muitos outros.

Cada um possui uma função importante dentro da celebração do maior mistério da nossa fé: a Santa Missa, o Santo Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Por isso, é necessário que exista harmonia entre todos aqueles que colaboram para a celebração. Cada pessoa deve compreender, respeitar e valorizar o trabalho do outro, para que todos possam desempenhar com dignidade e zelo o serviço que lhes foi confiado por Deus.

Como nos ensina São Paulo:

“Vê bem o ministério que recebeste em nome do Senhor, e desempenha-o plenamente.”
(Cl 4,17)

Cada ministério possui uma missão

Ao longo dos anos em que exerci o ministério de música, percebi algumas situações que podem acabar prejudicando não somente os músicos, mas também a própria celebração.

Às vezes, existe uma tendência de considerar o próprio serviço como o mais importante, esquecendo que a Liturgia é formada pela colaboração harmoniosa de muitas pessoas.

O ministério de música, por exemplo, não deve ser visto simplesmente como uma banda ou um coral responsável por preencher os momentos de silêncio da Missa.

Sua missão é muito maior.

O músico litúrgico procura, por meio do canto e da música, servir à Liturgia, favorecer a participação da assembleia e ajudar o povo de Deus a entrar nos mistérios celebrados.

Por isso, existe uma preparação que muitas vezes não é percebida por quem está sentado na assembleia.

Antes de uma Missa, pode haver leitura das passagens bíblicas do dia, reflexão sobre o tema da celebração, escolha dos cantos apropriados para cada momento litúrgico, ensaios, preparação do salmo, organização dos instrumentos, passagem de som e muitos outros detalhes.

Não se trata simplesmente de chegar, escolher algumas músicas e começar a tocar.

Existe um trabalho realizado antes para que, durante a celebração, tudo possa acontecer da melhor maneira possível.

O músico também é uma pessoa

Existe ainda outro aspecto que muitas vezes esquecemos.

Quem canta ou toca durante a Missa não é uma máquina.

O músico possui sentimentos, preocupações, alegrias, dificuldades e também momentos de fragilidade.

Não somos um aparelho de rádio que recebe um comando e reproduz sempre o mesmo som, independentemente das circunstâncias.

Quando estamos diante do altar, levamos conosco aquilo que existe em nosso coração.

Se estamos tranquilos, concentrados e com o coração voltado para Cristo, isso certamente poderá contribuir para que nossa música seja mais serena e orante.

Por outro lado, uma situação desagradável pode tirar a concentração do músico e interferir em seu serviço.

É justamente por isso que precisamos ter cuidado com a maneira como nos dirigimos uns aos outros, principalmente antes e durante a celebração.

A eterna questão do volume do som

Uma situação bastante comum nos ministérios de música envolve a regulagem do som.

Certa vez, enquanto estávamos passando os instrumentos e equalizando o sistema de som, a igreja ainda estava praticamente vazia. Nesse momento, recebemos uma reclamação sobre o volume.

É claro que precisamos estar sempre atentos para não exagerar no volume e jamais devemos transformar a música em algo que prejudique a participação da assembleia.

Porém, existe também uma questão técnica que precisa ser compreendida.

O comportamento do som dentro de uma igreja muda de acordo com o ambiente. Uma igreja vazia possui características acústicas diferentes de uma igreja cheia. Quando dezenas ou centenas de pessoas entram no espaço, seus corpos e roupas contribuem para a absorção e dispersão das ondas sonoras, alterando a percepção do volume e da acústica.

Por isso, uma regulagem que parece adequada durante a passagem de som pode precisar de pequenos ajustes depois que a igreja estiver cheia.

É justamente por isso que a passagem de som existe.

E aqui não estou defendendo que o músico tenha sempre razão. Pelo contrário: o músico também precisa saber ouvir, aceitar orientações e corrigir aquilo que estiver inadequado.

O que defendo é que todos possam conversar com respeito.

Uma simples palavra dita com caridade pode resolver aquilo que uma reclamação feita de maneira ríspida pode transformar em um grande problema.

Respeitar o trabalho de cada pessoa

A Liturgia envolve muitas pessoas.

O sacerdote precisa preparar a celebração e sua homilia.

Os leitores precisam conhecer e proclamar bem a Palavra de Deus.

A equipe de liturgia precisa organizar os diversos serviços.

A equipe de acolhida recebe as pessoas que chegam à igreja, muitas vezes oferecendo um sorriso mesmo quando também enfrenta seus próprios problemas.

Os ministros da Sagrada Comunhão exercem seu serviço com responsabilidade.

Os coroinhas e acólitos colaboram junto ao altar.

E o ministério de música prepara os cantos e instrumentos para servir à celebração.

Cada um possui sua responsabilidade.

Por isso, não devemos pensar que o nosso serviço é mais importante que o serviço do outro.

Todos estamos trabalhando para o mesmo Senhor.

Quando uma pessoa é desrespeitada, isso pode acabar afetando todo o ambiente da celebração.

No caso do ministério de música, uma situação desagradável antes ou durante a Missa pode prejudicar a concentração, a tranquilidade e até mesmo a capacidade de executar aquilo que foi preparado com tanto carinho.

O que existe por trás de uma música na Missa?

Muitas vezes, quem participa da assembleia vê apenas o momento em que o músico começa a tocar.

Mas existe uma história por trás daquele momento.

Existe preparação.

Existe ensaio.

Existe estudo.

Existe escolha das músicas.

Existe leitura das Escrituras.

Existe preocupação com o tempo litúrgico.

Existe preparação do salmo.

Existe organização dos instrumentos.

Existe passagem de som.

E, muitas vezes, existe também a necessidade de chegar muito antes do horário da celebração.

Tudo isso é uma forma de oferecer nosso tempo a Deus.

Uma música que dura apenas alguns minutos pode ter exigido horas de preparação.

É muito bonita, nesse sentido, a mensagem da música “O Milagre desta Comunhão”, de Walmir Alencar e Gilberto Monteiro, que recorda justamente as diversas pessoas que dedicam seu tempo e seus dons para preparar a celebração.

“Gente que aqui se uniu, pôs as mãos e o coração / E em cada detalhe veio preparar.”

Essa é uma imagem muito bonita da Igreja: pessoas diferentes, com dons diferentes, colocando as mãos e o coração a serviço de uma mesma celebração.

Quando uma pequena situação pode afetar todo o ministério

Imagine alguém construindo um castelo de areia.

Durante muito tempo, vai colocando cada parte no lugar, cuidando dos detalhes e deixando tudo bonito.

Então vem uma onda forte e modifica aquilo que havia sido construído.

Algo semelhante pode acontecer com um ministro de música.

Ele pode passar horas se preparando para uma celebração, chegar cedo, organizar os instrumentos, estudar os cantos e procurar colocar o coração em Deus.

Entretanto, uma palavra ríspida, uma atitude desnecessariamente agressiva ou uma situação constrangedora pode tirar sua concentração justamente no momento em que ele mais precisa estar voltado para Cristo.

Por isso, antes de qualquer correção, precisamos pensar:

Será que este é o momento adequado?

Será que existe uma maneira mais caridosa de falar?

Será que minha atitude vai ajudar ou apenas aumentar o problema?

Não significa deixar de corrigir aquilo que está errado.

Significa corrigir com caridade, prudência e respeito.

Algumas situações que podem acontecer

Existem diversas situações que podem afetar emocionalmente quem está servindo durante a Missa.

Um olhar ou uma atitude que causa desconforto

Às vezes, o músico pode perceber um olhar de reprovação durante uma música por causa de algum detalhe.

Pode ter acontecido um problema na equalização, uma entrada fora do tempo, uma estrofe diferente da esperada ou simplesmente alguma situação que precise ser corrigida.

É natural que erros aconteçam.

O músico também precisa estar aberto para aprender e melhorar.

Mas, quando uma correção pode ser feita posteriormente, talvez seja melhor evitar uma atitude que tire completamente a concentração de quem está servindo naquele momento.

Pedir uma música diferente durante a celebração

Outra situação bastante comum acontece quando uma música nova é escolhida.

Às vezes, a equipe prepara um canto pensando no sentido daquele determinado momento litúrgico, mas a assembleia ainda não conhece a música e participa pouco.

Então surge a impressão de que a escolha foi inadequada.

É verdade que o ministério de música precisa levar em consideração a participação da assembleia. Porém, também é necessário compreender que uma música nova precisa de tempo para ser assimilada.

Se for adequada à Liturgia, pode ser apresentada e repetida em outras celebrações, permitindo que, pouco a pouco, a comunidade a conheça.

O importante é buscar equilíbrio entre fidelidade à Liturgia, participação da assembleia e capacidade musical da comunidade.

O objetivo não é apontar culpados

Este artigo não tem como finalidade atacar padres, diáconos, ministros, músicos ou qualquer outra pessoa que exerça um serviço na Igreja.

Muito pelo contrário.

A intenção é chamar a atenção para uma realidade que pode acontecer em qualquer comunidade: somos pessoas diferentes, com responsabilidades diferentes, trabalhando juntas e, por isso, precisamos aprender a conviver e servir uns aos outros com caridade.

O sacerdote tem sua missão.

Os leitores têm sua missão.

A equipe de liturgia tem sua missão.

A acolhida tem sua missão.

O ministério de música tem sua missão.

E a assembleia também possui uma participação fundamental na celebração.

Quando todos compreendem isso, a Liturgia se torna muito mais harmoniosa.

Servir com os olhos voltados para Cristo

Antes e durante a Santa Missa, nossa mente e nosso coração precisam estar voltados para aquilo que realmente importa: Jesus Cristo.

O músico deve preparar não apenas seus instrumentos, mas também seu coração.

O leitor deve preparar não apenas sua leitura, mas também seu coração.

O sacerdote deve preparar não apenas sua homilia, mas também seu coração.

Cada servidor deve procurar oferecer a Deus o melhor de si.

E todos precisamos lembrar que não estamos ali para aparecer.

Estamos ali para servir.

O ministério de música não existe para mostrar quem canta melhor ou quem toca melhor.

O leitor não está ali para demonstrar sua capacidade de oratória.

O sacerdote não celebra para si mesmo.

Cada serviço encontra seu verdadeiro sentido quando aponta para Cristo.

Que possamos, portanto, ser mais verdadeiros, caridosos e zelosos uns pelos outros.

Se for necessário advertir ou corrigir alguém, que saibamos escolher o momento adequado e fazê-lo com respeito.

Especialmente durante a celebração da Santa Missa, nosso coração precisa estar voltado para o Rei e Senhor Jesus Cristo, presente na Eucaristia, Corpo, Sangue, Alma e Divindade.

Como nos ensina São Paulo:

“Aquele que é chamado ao ministério, dedique-se ao ministério; se tem o dom de ensinar, que ensine; o dom de exortar, que exorte; aquele que distribui as esmolas, faça-o com simplicidade; aquele que preside, presida com zelo; aquele que exerce a misericórdia, que o faça com afabilidade.”
(Rm 12,7-8)

Que cada um de nós possa descobrir novamente a beleza de servir.

Que o músico sirva com sua música.

Que o leitor sirva com sua voz.

Que o sacerdote sirva conduzindo o povo de Deus.

Que a equipe de liturgia sirva com sua organização.

Que a acolhida sirva com seu sorriso.

E que todos, unidos como membros de um mesmo Corpo, possamos preparar cada celebração com as mãos e o coração, para que tudo conduza ao verdadeiro centro da nossa fé:

Jesus Cristo, nosso Senhor.


Autor: Rogério Hirota
Fonte: Exsurge Domini
Publicado originalmente em 14 de maio de 2010.

© Livre para cópia e difusão na íntegra, com menção do autor e do site Exsurge Domini.

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