O Papa chama a uma renovação radical do canto litúrgico e religioso

Fonte: Lista Exsurge Domini
Autor: ACI Informações
Transmissão: Vicente Gargiulo
VATICANO, 03 Dez 03 (ACI).– Em uma mensagem autografada dada a conhecer pela ocasião do Centenário do Motu Proprio “Tra le sollecitudini” sobre a renovação da música sacra, o Papa João Paulo II chamou a Igreja a empreender uma profunda renovação do canto litúrgico e da música na Missa e em outras celebrações eclesiais.
Na carta, datada de 22 de novembro , memória de Santa Cecília –padroeira da música sacra- o Pontífice indica que o centenário da Carta do Papa São Pio X “oferece-me a ocasião de recordar a importante função da música sacra, que São Pio X apresenta tanto como meio de elevação do espírito a Deus, como preciosa ajuda para os fiéis na ‘participação ativa dos sacrossantos mistérios e na oração pública e solene da Igreja”.
O Papa faz então um resumo do secular ensinamento da Igreja sobre a nobreza e importância do canto litúrgico; e indica que “em tal perspectiva, à luz do magistério de São Pio X e de meus outros Predecessores, e levando em conta particularmente os pronunciamentos do Concílio Vaticano II, desejo voltar a propor alguns princípios fundamentais” sobre a composição e o uso da música nas celebrações litúrgicas.
Princípios para a música
O Pontífice passa então a enumerar princípios que considera fundamentais para a boa prática da música católica:
· O Papa indica que “em primeiro lugar é necessário destacar que a música destinada aos ritos sagrados deve ter como ponto de referência a santidade”. “ A própria categoria de ‘música sagrada’ -adverte o Pontífice- hoje sofreu uma ampliação tal que inclui repertórios que não podem entrar na celebração sem violar o espírito e as normas da própria liturgia”.
· “A reforma obrada por São Pio X se dirigia especificamente a purificar a música da Igreja da contaminação da música profana teatral, que em muitos países tinha contaminado o repertório e a prática musical litúrgica”, lembra o Pontífice; e indica que “em conseqüência, nem todas as formas musicais podem ser consideradas aptas para as celebrações litúrgicas”.
· Outro princípio é “o da bondade das formas”. “Não pode haver música destinada às celebrações dos ritos sagrados que não seja primeiro ‘verdadeira arte’”.
· Entretanto, “esta qualidade não é suficiente” adverte o Santo Padre. “A música litúrgica deve com efeito responder a seus requisitos específicos: a plena adesão aos textos que apresenta, a consonância com o tempo e o momento litúrgico à qual está destinada, a adequada correspondência com os ritos e gestos que propõe”.
· O Pontífice destaca então o valor da inculturação na música litúrgica; mas indica que “toda inovação nesta delicada matéria deve respeitar critérios peculiares, como a busca de expressões musicais que respondam ao necessário envolvimento de toda a assembléia na celebração e que evitem, ao mesmo tempo, qualquer concessão à leveza e a superficialidade”.
· “O sagrado âmbito da celebração litúrgica não deve tornar-se jamais laboratório de experiências ou de práticas de composição e execução introduzidas sem uma atenta revisão”, diz também o Papa.
· O Canto Gregoriano, “ocupa um lugar particular”; pois “continua sendo ainda hoje o elemento de unidade” na liturgia.
· Em geral, diz o Papa, o aspecto musical das celebrações litúrgicas “não pode ser deixado ao improviso, nem ao arbítrio dos indivíduos, mas deve ser confiado a uma bem arranjada direção em respeito às normas e competências, como fruto significativo de uma adequada formação litúrgica”.
· Por isso, no campo litúrgico, o Papa aponta “a urgência de promover uma sólida formação tanto dos pastores como dos fiéis leigos”.
Música popular e Canto Gregoriano
O Pontífice reconhece o valor da música popular litúrgica, mas sobre elas afirma que “faço minha a ‘lei geral’, que São Pio X formulava neste termos: ‘Uma composição para a Igreja é tanto mais sagrada e litúrgica, quanto mais no ritmo, na inspiração e no sabor se apóia na melodia gregoriana, e tanto menos é digna do templo, quanto mais distante fica daquele supremo modelo”.
João Paulo II afirma que hoje “não faltam compositores capazes de oferecer, neste espírito, sua indispensável contribuição e sua competente colaboração para incrementar o patrimônio da música a serviço de uma Liturgia sempre mais intensamente vivida”.
O Papa recorda que São Pio X, “dirigindo-se aos Bispos, prescrevia que instituíssem em suas dioceses ‘uma comissão especial de pessoas verdadeiramente competentes em coisas de música sagrada’”. “Ali onde a disposição pontifícia foi posta em prática os frutos não faltaram”, destaca o Papa; por isso, augura que “os bispos continuem secundando o compromisso destas comissões, favorecendo a eficácia no âmbito pastoral”.
“Também confio que as Conferências episcopais realizem cuidadosamente o exame dos textos destinados ao canto litúrgico, e prestem especial atenção na avaliação e promoção de melodias que sejam verdadeiramente aptas ao uso sagrado”, conclui o Pontífice.
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