Musica, canto e celebração
Fonte: Lista Exsurge Domini
Autor: Gilson Garcia
Não sei se você já teve a curiosidade de descobrir o tempo, exato ou aproximado, em que cantamos numa missa. Há um tempo atrás, observando e anotando esse detalhe importante, descobri o que não é difícil perceber.
Contando os cantos de: entrada, ato penitencial, glória, salmo, aclamação, ofertório, santo, cordeiro e comunhão, com duração entre 1 e 4 minutos, cantamos mais de 30 minutos. Se incluirmos os cantos de abraço da paz,
procissão da Palavra, ação de graças e final, teremos ainda mais. Conclusão: levando em conta o tempo médio de duração de uma missa, uma hora, mais da metade (ou pelos menos a metade) desta celebração é cantada. Isto pode nos deixar felizes ou tristes, dependendo da situação, do grupo que coordena os cantos, dos cantos escolhidos, do som da igreja. Olhando por este lado, devo ser sincero, isto tem me deixado mais triste do que feliz... Infelizmente,
muitos grupos estão tocando e cantando sem ensaio, sem afinação, sem equipamento de som adequado, e, principalmente, sem discernimento! Somos os responsáveis? Sim! Todos nós! Cantores, músicos, leigos, conselhos
paroquiais, párocos.
Na verdade, devemos não apenas sentir tristeza ou alegria diante destes fatos, mas, acima de tudo, inquietação. Uma inquietação que nos leve a pensar no que fazer para mudar esta situação. É fato comum ouvirmos pessoas reclamando da demora da missa. Creio que todos nós já ouvimos algo assim: "Nossa! Não via a hora da missa terminar!" É comum também jogarmos toda a responsabilidade de uma celebração nas costas do padre celebrante. "Que missa cansativa!" ou "Não entendi nada, na missa, hoje!" Você já não ouviu isso?
Sem tirar a parcela de responsabilidade, que cabe aos padres, por uma celebração viva, quero aqui assumir a parcela que cabe a nós, músicos. É claro que se mais da metade da missa for de cantos arrastados,
desafinados, desencontrados, altos demais, baixos demais, etc., o povo vai sair desanimado. E com toda razão! A vontade, nestas horas, é de sair correndo. Eu já tive esta vontade. Às vezes dói o ouvido! Há grupos (e muitos) que cantam sozinhos a missa inteira, aprendem alguns cantos novos e pronto: cantam todos eles como se a missa fosse um show e só eles devessem cantar. E o povo todo lá, mais de meia hora ouvindo aquelas canções estranhas... Pior quando juntam canções estranhas, desafinação e volume muito alto! E o mais grave é que isto anda acontecendo em muitos lugares, com muita freqüência! Como podemos querer que o povo goste da missa? É pedir o impossível! Só o fato de este povo voltar no domingo seguinte já os torna dignos de honra! Estas pessoas deveriam ganhar medalha! Estes grupos, estes cantores, não entenderam nada sobre liturgia e canto.
Como é bom ver alegria nos olhos, ternura no sorriso e entusiasmo nas pessoas que saem de uma missa bem celebrada. Podemos fazer isso acontecer mais vezes? Sim! A parcela que cabe a nós pode ser bem realizada! Graças a Deus há grupos muito bons, pessoas de bom senso, cantores equilibrados e que estudam antes de fazer. Pensam e ensaiam antes de cantar e tocar. Rezam para que Deus ilumine este trabalho. Ouvem o que a Igreja diz sobre este assunto.
Se usarmos os nossos dons musicais com mais equilíbrio, discernimento, humildade e sabedoria, ajudaremos a tornar nossas missas mais alegres, participativas e, principalmente, verdadeiros encontros do povo de Deus ao
redor da mesa do pão. Por onde começamos? Veja o que diz o Catecismo da Igreja Católica sobre isso: "O canto e a música desempenham sua função de sinais de maneira tanto mais significativa por estarem intimamente ligados à
ação litúrgica, segundo três critérios principais: a beleza expressiva da oração, a participação unânime da assembléia nos momentos previstos e o caráter solene da celebração. Participam assim da finalidade das palavras e das ações litúrgicas: a glória de Deus e a santificação dos fiéis."
Com a luz do Espírito Santo, com a ajuda daqueles que já aprenderam os caminhos desta estrada, com nossa vontade de servir sempre mais e de modo acertado, continuaremos a pensar e conversar sobre este assunto. Estudando juntos, aprenderemos mais, serviremos melhor e poderemos tornar nossas celebrações mais intensas e cheias de vida!
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