Missa de Formatura : O que pode e o que não pode?

Fonte: Ministério Ressurreição / Exsurge Domini
Autor: Rogério Hirota
Texto original: 29 de maio de 2010
Revisado: 19 de fevereiro de 2021
Nova revisão e atualização editorial: 08 de  Setembro de 2026

Uma pergunta que já ouvi muitas vezes ao longo dos anos é: “A Missa de Formatura deve ter músicas diferentes?”

A resposta, de maneira geral, é não.

Apesar de ser uma celebração especialmente significativa para os formandos, a Missa não deixa de ser Missa por causa da ocasião. Tanto a música quanto os demais elementos da celebração devem respeitar as normas litúrgicas estabelecidas pela Igreja e aquilo que está previsto no Missal Romano.

É justamente aqui que muitas equipes de liturgia, músicos, formandos e familiares acabam se confundindo.

Uma Missa de Formatura não é uma cerimônia de formatura realizada dentro de uma igreja. É, antes de tudo, a celebração do Santo Sacrifício da Missa, na qual os formandos se apresentam diante de Deus em ação de graças e entregam a Ele a profissão e a vocação que estão prestes a exercer.

Essa diferença é fundamental para compreendermos o que pode e o que não pode em uma Missa de Formatura.

A Missa de Formatura precisa ter músicas diferentes?

Não é necessário criar um repertório completamente diferente simplesmente porque se trata de uma formatura.

Essa pergunta geralmente surge devido à preocupação com a presença de pessoas que não frequentam habitualmente a Igreja, muitas vezes os autodenominados “católicos não praticantes” — expressão que sempre considerei contraditória, pois ou procuramos viver a fé que professamos ou, na prática, estamos afastados dela.

É compreensível que exista uma preocupação em acolher essas pessoas.

O problema começa quando, com a intenção de tornar a celebração mais “acessível”, músicas profanas são adaptadas ao rito litúrgico ou inseridas na Missa sob a justificativa de que é preciso aproveitar aquele momento para evangelizar quem talvez esteja entrando em uma igreja depois de muitos anos.

A intenção pode até parecer boa.

Entretanto, uma boa intenção não transforma automaticamente uma escolha inadequada em uma escolha liturgicamente correta.

A música na Missa faz parte da Liturgia

É necessário compreender um princípio fundamental: a música na Santa Missa não é simplesmente uma decoração da celebração.

Ela está a serviço da Liturgia.

Por isso, não devemos escolher ou adaptar músicas apenas para satisfazer os gostos dos formandos, dos familiares ou das pessoas presentes. O canto litúrgico deve cumprir sua finalidade própria: auxiliar a assembleia a penetrar no mistério celebrado, favorecer a oração e acompanhar adequadamente cada momento da Liturgia.

Essa compreensão muda completamente a pergunta.

Em vez de perguntarmos:

“Qual música os formandos gostariam de ouvir?”

deveríamos perguntar:

“Qual canto serve melhor a este momento da Liturgia?”

Essa diferença parece pequena, mas revela duas maneiras completamente diferentes de compreender a Santa Missa.

Na primeira, colocamos nossos gostos no centro.

Na segunda, colocamos a Liturgia e o mistério celebrado no centro.

Pode fazer paródia de música secular no Salmo Responsorial?

Outra situação inadequada liturgicamente, e que eu mesmo já presenciei em celebrações comemorativas de formatura, é transformar o Salmo Responsorial em uma paródia de música secular.

Isso é especialmente problemático.

O Salmo Responsorial está intimamente ligado à Liturgia da Palavra. Não é um espaço destinado à criatividade musical sem critérios, muito menos uma oportunidade para adaptar melodias populares simplesmente porque são conhecidas pelos formandos.

Imagine cantar o texto do salmo utilizando a melodia de uma música secular muito conhecida.

O que provavelmente acontecerá?

Enquanto a pessoa deveria estar meditando a Palavra de Deus, sua memória será levada à letra original daquela música.

A melodia poderá despertar lembranças, associações e até fazer com que mentalmente se recorde da letra secular.

Dessa maneira, o foco deixa de estar na Palavra proclamada e passa para a música que serviu de base para a paródia.

É justamente o contrário daquilo que o Salmo Responsorial deveria proporcionar.

O salmo deve ajudar a Palavra de Deus a penetrar no coração da assembleia, e não competir com outra letra que já esteja gravada na memória das pessoas.

Pode cantar música secular ou profana na Missa de Formatura?

Também não devemos transformar a Missa em espaço para homenagens utilizando músicas profanas.

Já presenciei, por exemplo, celebrações comemorativas de formandos nas quais foram utilizadas músicas como:

  • “É Preciso Saber Viver”, dos Titãs;

  • “Monte Castelo”, da Legião Urbana;

  • “Quando o Sol Bater na Janela do Seu Quarto”, também da Legião Urbana.

São músicas conhecidas e algumas possuem letras capazes de provocar reflexões humanas interessantes. Isso, porém, não faz delas automaticamente músicas adequadas à Liturgia.

O critério para escolher um canto para a Missa não pode ser simplesmente:

“Essa letra é bonita.”

“Essa música fala de amor.”

“Essa música tem uma mensagem positiva.”

“Essa música combina com a história da turma.”

Uma música pode possuir grande valor artístico, cultural ou afetivo e, ainda assim, não possuir a função necessária para integrar a celebração litúrgica.

No lugar dessas músicas, procure utilizar cantos que levem os formandos a compreender que aquilo que conquistaram também pode ser oferecido a Deus.

A formação profissional não deveria ser apresentada apenas como uma conquista pessoal, mas também como uma vocação colocada a serviço de Deus e dos irmãos.

O médico, o professor, o engenheiro, o enfermeiro, o advogado, o técnico e tantos outros profissionais podem compreender sua profissão como serviço.

A Missa de Formatura é uma oportunidade extraordinária para essa reflexão.

Não precisamos recorrer à música secular para produzir emoção quando a própria realidade celebrada é muito mais profunda.

“Mas precisamos aproveitar a Missa para evangelizar quem não frequenta a Igreja”

Esse é outro argumento bastante comum.

Por mais que desejemos evangelizar e aproveitar a presença daqueles que estão na igreja talvez somente por causa da formatura, não devemos fazê-lo a qualquer custo, principalmente banalizando o momento mais precioso da nossa fé: o Santo Sacrifício do Altar.

Existe algo que precisa ser compreendido por músicos, equipes de liturgia e também pelos próprios formandos:

a própria Liturgia bem celebrada evangeliza.

Não precisamos descaracterizar a Missa para torná-la evangelizadora.

Pelo contrário.

Quando celebramos com reverência, quando os cantos realmente conduzem ao mistério, quando a Palavra é proclamada dignamente e quando o Santíssimo Sacramento ocupa verdadeiramente o centro da celebração, estamos oferecendo àquela pessoa afastada da Igreja a oportunidade de contemplar aquilo que a Igreja realmente é e aquilo que realmente crê.

Talvez aquela seja a única Missa da qual essa pessoa participará durante muito tempo.

Então, por que apresentar a ela uma versão descaracterizada da Liturgia?

O centro da Missa de Formatura não são os formandos

Essa talvez seja a questão mais importante de todo este artigo.

Os formandos não são o centro da Missa de Formatura.

Cristo é o centro.

Na Santa Missa estamos diante do mistério do Sacrifício de Cristo, tornado sacramentalmente presente no altar. O sacerdote celebra in persona Christi, isto é, na pessoa de Cristo, e somos convidados a unir nossa própria vida à oferta de Cristo ao Pai.

Diante de uma realidade tão grandiosa, nossas preferências musicais tornam-se secundárias.

Por isso, sempre proponho uma reflexão bastante simples.

Como você agiria se estivesse diante de Jesus que se entrega por você na Cruz?

Meditaria no coração e louvaria a Deus que, por amor, entrega-se pela sua salvação?

Ou escolheria cantar “É Preciso Saber Viver”?

Quando compreendemos o que está acontecendo no altar, a resposta torna-se muito mais evidente.

Não significa que músicas como essa sejam necessariamente ruins. Significa simplesmente que existe um lugar e um momento para cada coisa.

A questão não é somente perguntar se determinada música é “boa” ou “ruim”.

A pergunta correta é:

“Esta música pertence a este momento da Liturgia?”

Existe momento apropriado para homenagens aos formandos

Naturalmente, uma turma que passou anos estudando junta terá histórias, amizades, professores importantes, dificuldades vencidas e pessoas que deseja homenagear.

Nada disso precisa ser desprezado.

Existem momentos fora da celebração e cerimônias próprias da formatura em que essas homenagens podem ser realizadas.

Uma música que representa a turma pode ser utilizada na cerimônia acadêmica, na confraternização, em uma apresentação, em um vídeo ou em outro momento apropriado.

O problema acontece quando tentamos colocar toda a cerimônia de formatura dentro da Missa.

A Liturgia possui natureza e finalidade próprias.

Respeitá-las não diminui a importância dos formandos. Pelo contrário: coloca a conquista deles diante de algo muito maior do que eles mesmos.

As leituras podem ser escolhidas especialmente para os formandos?

Também é importante fazer uma observação às equipes de liturgia a respeito das leituras da Missa de Formatura.

Não se deve simplesmente pegar qualquer texto bíblico que pareça combinar com a profissão, com a turma ou com o tema da formatura e colocá-lo no lugar das leituras litúrgicas.

A Igreja possui um Lecionário, com leituras determinadas segundo o calendário e os formulários litúrgicos.

Existem situações em que as próprias normas litúrgicas permitem a utilização de formulários ou leituras apropriadas para determinadas necessidades e ocasiões. Portanto, a escolha precisa ser feita dentro daquilo que a Igreja permite, considerando o dia litúrgico e sob orientação do sacerdote responsável pela celebração.

O que não cabe à equipe de formatura ou aos músicos é simplesmente decidir:

“Essa leitura combina mais com a nossa turma, então vamos trocar.”

A Sagrada Escritura proclamada na Liturgia não deve ser tratada como elemento decorativo destinado a combinar com o tema de um evento.

Toda a Igreja celebra unida

Quando seguimos o calendário litúrgico e as normas da Igreja, recordamos uma verdade muito bonita: não estamos celebrando isoladamente.

A Liturgia pertence à Igreja.

Aquilo que celebramos em nossa comunidade está unido à oração da Igreja espalhada pelo mundo.

Isso também nos ajuda a combater uma tentação frequente nas Missas comemorativas: transformar a ocasião celebrada no centro de tudo.

Em uma Missa de Formatura, naturalmente haverá referências aos formandos e ação de graças pela conclusão daquela etapa. Entretanto, isso não significa que toda a estrutura da Missa deva ser modificada para falar exclusivamente deles.

A formatura é importante.

Mas Jesus Cristo Eucarístico é infinitamente maior do que a formatura.

Qual deve ser o sentido verdadeiro de uma Missa de Formatura?

A Missa de Formatura deveria ser compreendida principalmente como ação de graças e entrega.

Depois de anos de estudos, dificuldades, provas, trabalhos, noites mal dormidas e tantas experiências, o formando coloca diante de Deus aquilo que recebeu e conquistou.

E pode dizer, no coração:

“Senhor, eis aquilo que me permitistes alcançar. Que esta profissão seja também instrumento para servir.”

Essa perspectiva transforma completamente a celebração.

A profissão deixa de ser apenas meio de realização pessoal e passa também a ser compreendida como possibilidade de serviço ao próximo.

É justamente esse sentido que os cantos escolhidos deveriam ajudar a expressar.

O músico católico precisa saber dizer “não”

Existe ainda uma responsabilidade particular daqueles que exercem um ministério musical.

Nem sempre aquilo que os formandos pedirem será liturgicamente adequado.

Pode acontecer de alguém dizer:

“Mas essa música marcou nossa turma.”

“Todo mundo gosta dela.”

“Vai ficar emocionante.”

“Na outra formatura fizeram.”

“Foi o professor que pediu.”

Nessas situações, o músico católico não deveria simplesmente aceitar tudo para evitar problemas.

Nosso trabalho ministerial não consiste em realizar todos os desejos de quem organiza uma celebração.

Somos chamados a servir à Liturgia.

E servir também significa orientar.

Isso deve ser feito com caridade, paciência e formação, explicando por que determinada música não é apropriada e, sempre que possível, oferecendo uma alternativa litúrgica que consiga expressar aquilo que os formandos desejavam comunicar.

Não basta dizer:

“Não pode.”

É muito melhor explicar:

“Não é adequado neste momento da Missa, mas podemos escolher um canto litúrgico que expresse ação de graças e entrega da profissão a Deus.”

Assim também evangelizamos.

Não precisamos modificar a Missa para trazer alguém de volta para Deus

Existe um tempo certo no qual Deus poderá trazer de volta as ovelhas que se afastaram.

Cada pessoa possui sua história e poderá ter seu encontro pessoal com Cristo de uma maneira que nós não conseguimos prever.

Talvez alguém que tenha ido à igreja apenas para prestigiar um amigo seja profundamente tocado pela celebração.

Mas não precisamos fabricar esse encontro.

Na Missa devemos cumprir fielmente o trabalho ministerial para o qual fomos chamados: servir à Liturgia e ajudar as pessoas a viverem os ritos celebrados.

Às vezes imaginamos que precisamos inventar algo extraordinário para tocar o coração das pessoas.

Talvez aquilo de que elas mais necessitem seja simplesmente encontrar uma comunidade celebrando verdadeiramente aquilo em que acredita.

Conclusão: que Cristo seja o centro da Missa de Formatura

Portanto, quando formandos, músicos ou equipes de liturgia perguntarem o que pode e o que não pode em uma Missa de Formatura, o primeiro critério não deveria ser uma lista de proibições.

A pergunta fundamental deve ser:

Quem está no centro desta celebração?

Se a resposta for Cristo, muitas outras decisões tornam-se mais simples.

Os formandos estão ali para agradecer.

Estão ali para oferecer.

Estão ali para pedir a bênção de Deus sobre a nova etapa que começa.

Estão ali para consagrar a Ele sua vocação e pedir a graça de exercer a profissão para o bem de seus irmãos.

Mas eles não são os protagonistas do Santo Sacrifício da Missa.

Rezemos para que a Missa de Formatura seja verdadeiramente um momento de encontro dos formandos com Deus e de entrega de suas vocações.

Que músicos, equipes de liturgia, familiares e formandos compreendam a beleza e a grandeza daquilo que estão celebrando.

E que, acima de homenagens, preferências pessoais, músicas que marcaram a turma ou qualquer outra circunstância, permaneça no centro Aquele que sempre deveria ocupar o centro de toda Santa Missa:

Jesus Cristo Eucarístico.


Perguntas frequentes sobre Missa de Formatura

Pode cantar música secular na Missa de Formatura?

A música utilizada dentro da celebração deve estar a serviço da Liturgia e ser adequada ao momento ritual. Uma música secular pode possuir uma mensagem bonita ou ter significado especial para a turma, mas isso não significa que seja apropriada para integrar a Santa Missa. Essas músicas podem ser reservadas para outros momentos da formatura.

Pode cantar “É Preciso Saber Viver” em uma Missa de Formatura?

Apesar de ser uma música conhecida e possuir uma mensagem que pode ser relacionada à trajetória dos formandos, “É Preciso Saber Viver” não é um canto litúrgico. É mais adequado utilizá-la em outro momento da comemoração e escolher, para a Missa, cantos próprios que expressem a fé e acompanhem corretamente cada momento litúrgico.

Pode cantar Legião Urbana na Missa de Formatura?

O fato de músicas como “Monte Castelo” possuírem referências a textos conhecidos pelos cristãos não transforma a canção em canto litúrgico. O mesmo princípio vale para “Quando o Sol Bater na Janela do Seu Quarto” e outras músicas populares. O repertório da Missa deve ser escolhido segundo critérios litúrgicos, e não apenas pelo significado afetivo da música para a turma.

Pode fazer paródia no Salmo Responsorial?

Não se deve transformar o Salmo Responsorial em paródia de uma música secular. Além de descaracterizar sua função dentro da Liturgia da Palavra, uma melodia popular pode levar a assembleia a recordar a letra original em vez de meditar o texto do salmo.

Os formandos podem escolher as leituras da Missa?

Não se deve substituir livremente as leituras previstas pela Liturgia por textos escolhidos apenas porque combinam com a formatura. Quando houver possibilidade litúrgica de escolha entre leituras ou formulários permitidos, isso deve ser feito respeitando as normas da Igreja e com orientação do sacerdote responsável pela celebração.

Qual é o objetivo de uma Missa de Formatura?

A Missa de Formatura deve ser principalmente um momento de ação de graças a Deus e entrega da vocação profissional. Os formandos agradecem pela etapa concluída e pedem a graça de exercer sua profissão como instrumento de serviço a Deus e ao próximo.

Qual deve ser o centro da Missa de Formatura?

O centro não é a turma, a faculdade, a profissão ou a própria formatura. O centro da celebração é Jesus Cristo, particularmente o mistério eucarístico celebrado no altar.


Texto originalmente publicado em 29 de maio de 2010 , Primeira Revisão em 19 de fevereiro de 2021. 
Última Revisão: 08 de Setembro de 2026

© Rogério Hirota — Livre para cópia e difusão na íntegra, com menção do autor e da fonte.

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Comentários

  1. Conheço algumas músicas lindíssimas, litúrgicas, próprias para formatura. Ex:entrada - Vamos, é primavera! as flores vão se abrindo no jardim, chegou o dia em que a gente tanto espera de acordar do sono enfim . . . Aclamação: As leis de toda a ciência me falam da onipotência de meu deus e meu Senhor Na bíblia falas comigo, mas falas como um amigo . . . ofertório ; Eis a minha oferta, é minha virtude, dou-te a juventude, o mundo que desperta dentro de mim. vou ser sangue novo para renovar a vida, a história do nosso povo . . . comunhão ; Meu Cristo feito pão nesta mesa, sustentas com o teu coração quem busca nesta vida a grandeza de ser filho de Deus pai pra viver como irmão . . . Final ; Estou partindo, mas meu adeus não é tristeza não. é flor se abrindo, se a flor se acaba os frutos nascerão . . . Bem . . . ´isso. espero que possa ajudar alguém. abraço fraterno!

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  2. Um texto sético. Ortodoxo.
    A religião de todos é o amor.

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